Por Poéticas Audiovisuais Contemporâneas
Hoje, sabemos, a guerra é, antes de tudo, informacional e visual. Trata-se de produzir o acontecimento para que ele possa se tornar, instantaneamente, imagem. E de produzir imagens que sejam elas próprias o acontecimento. Nesse sentido, a política e a guerra estão diretamente ligadas ao regime de visibilidade – ao regime estético – do qual elas participam.
O projeto de pesquisa Arte em tempos de guerra pretende abordar essa relação, tendo como recorte empírico a produção artística que se estabelece em torno de dois acontecimentos: a Guerra do Golfo, de 1991, e o período posterior ao atentado terrorista de 11 de setembro. Como a guerra aparece nas imagens da mídia, do cinema, da arte contemporânea, e, mais recentemente, das redes digitais? Como estas imagens representam a guerra e, mais importante, como elas participam e produzem a guerra? Ou, em uma linha inversa, em que medida as imagens podem ser um espaço dissensual, se contrapondo aos consensos produzido pela guerra? Trata-se de pensar as imagens que se produzem em torno da guerra, na intercessão entre a arte e a comunicação.
Desde a intervenção no Vietnã mas, com mais intensidade, a partir da Guerra do Golfo, em 1991, aumenta a centralidade das imagens e das tecnologias de visibilidade nos conflitos mundiais: pouco a pouco, elas passam a participar não apenas dos processos de cobertura, de informação (e de censura), mas, estrategicamente, da própria produção da guerra. Soma-se a isso, a transformação da natureza dos conflitos. Em linhas gerais e ainda como hipótese de pesquisa, podemos dizer que, da primeira intervenção no Golfo até os conflitos posteriores ao 11 de setembro, a guerra se torna, cada vez mais, uma forma de gestão e de produção de consenso. Aqui, o consenso não representa o reino da paz, mas, ao contrário, o da guerra tornada crônica. Neste contexto, a guerra não é mais algo eventual, circunstancial, mas um estado permanente, que estrutura as estratégias políticas de âmbito global.
O contexto de uma guerra tornada crônica é também aquele da produção e disseminação de imagens consensuais, que legitimam as “guerras humanitárias” e as políticas de intervenção. A produção artística que emerge neste contexto pode simplesmente reproduzir o consenso por meio das imagens, ou, ao contrário, fazer delas o lugar do dissenso, ou seja, o lugar onde a política pode realmente se efetivar. Há, de um lado, uma guerra que se desenvolve, cada vez mais, por meio das imagens. E, por outro, uma guerra no interior das imagens.
Atenta à produção artística contemporânea que se cria em torno da guerra, a pesquisa pretende revelar um ou outro aspecto desse processo. Para tanto, começaremos estudando as imagens do cinema e, em um segundo momento, nos voltaremos às imagens da arte contemporânea (incluindo aí a produção para web). Como resultado, vamos construir um site que funcione como um "relatório processual e coletivo" da pesquisa e que possa se tornar um espaço transdisciplinar para artistas e pesquisadores interessados no tema.
O projeto de pesquisa Arte em tempos de guerra pretende abordar essa relação, tendo como recorte empírico a produção artística que se estabelece em torno de dois acontecimentos: a Guerra do Golfo, de 1991, e o período posterior ao atentado terrorista de 11 de setembro. Como a guerra aparece nas imagens da mídia, do cinema, da arte contemporânea, e, mais recentemente, das redes digitais? Como estas imagens representam a guerra e, mais importante, como elas participam e produzem a guerra? Ou, em uma linha inversa, em que medida as imagens podem ser um espaço dissensual, se contrapondo aos consensos produzido pela guerra? Trata-se de pensar as imagens que se produzem em torno da guerra, na intercessão entre a arte e a comunicação.
Desde a intervenção no Vietnã mas, com mais intensidade, a partir da Guerra do Golfo, em 1991, aumenta a centralidade das imagens e das tecnologias de visibilidade nos conflitos mundiais: pouco a pouco, elas passam a participar não apenas dos processos de cobertura, de informação (e de censura), mas, estrategicamente, da própria produção da guerra. Soma-se a isso, a transformação da natureza dos conflitos. Em linhas gerais e ainda como hipótese de pesquisa, podemos dizer que, da primeira intervenção no Golfo até os conflitos posteriores ao 11 de setembro, a guerra se torna, cada vez mais, uma forma de gestão e de produção de consenso. Aqui, o consenso não representa o reino da paz, mas, ao contrário, o da guerra tornada crônica. Neste contexto, a guerra não é mais algo eventual, circunstancial, mas um estado permanente, que estrutura as estratégias políticas de âmbito global.
O contexto de uma guerra tornada crônica é também aquele da produção e disseminação de imagens consensuais, que legitimam as “guerras humanitárias” e as políticas de intervenção. A produção artística que emerge neste contexto pode simplesmente reproduzir o consenso por meio das imagens, ou, ao contrário, fazer delas o lugar do dissenso, ou seja, o lugar onde a política pode realmente se efetivar. Há, de um lado, uma guerra que se desenvolve, cada vez mais, por meio das imagens. E, por outro, uma guerra no interior das imagens.
Atenta à produção artística contemporânea que se cria em torno da guerra, a pesquisa pretende revelar um ou outro aspecto desse processo. Para tanto, começaremos estudando as imagens do cinema e, em um segundo momento, nos voltaremos às imagens da arte contemporânea (incluindo aí a produção para web). Como resultado, vamos construir um site que funcione como um "relatório processual e coletivo" da pesquisa e que possa se tornar um espaço transdisciplinar para artistas e pesquisadores interessados no tema.